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Termo Definição
Zacarias
Glossários: Primeiro Testamento

Em Hebraico – Zekharyah = “Deus lembrou”

Décimo primeiro livro dos Profetas Menores da seção profética da Bíblia. Ele pronuncia sua primeira profecia durante o segundo ano do reinado de Dario I, o Grande, em 520 a.C. Zacarias era contemporâneo do governador Zorobabel, de Josué, o Sumo Sacerdote e de Ageu, o Profeta. Ele profetiza durante dois anos e exorta, ao mesmo tempo que Ageu, ao povo de Jerusalém a retomar os trabalhos de reconstrução do Templo.

O livro de Zacarias corresponde com o de Ageu e de Malaquias ao grupo das profecias pronunciadas após o exílio na Babilônia. O livro é constituído de duas partes: os oito primeiros capítulos são atribuídos ao profeta e oferecem datas das suas profecias. Os seis últimos capítulos, fortemente escatológicos, são escritos num estilo obscuro e fazem alusão a um contexto confuso. O autor e a data de composição desta parte são desconhecidos. Embora o livro seja atribuído a um único Profeta, os pesquisadores modernos sugerem que o autor desses capítulos não pode ser o Profeta e que seus oráculos nos remetem a um período posterior.

Composto de 211 versículos, o Livro de Zacarias é o mais extenso livro dos Profetas Menores. Quando a restauração que se seguiu ao exílio da Babilônia, o Povo de Jerusalém era uma comunidade pobre e desencorajada (Zc 8,10). Unindo a sua voz àquela de Ageu, Zacarias apoiava que a reconstrução do Templo constituía o prelúdio necessário ao acontecimento do Reino do Messias. Graças aos esforços reunidos de dois Profetas, o Templo foi restaurado em 515 a.C. (Esd 6,15).

Os seis primeiros capítulos relatam oito visões que supostamente ele teve numa noite. Dessas visões ele afirma com segurança que, apesar de tudo, os tempos messiânicos estão próximos. Os últimos capítulos do livro descrevem os diversos aspectos dos tempos messiânicos. As duas seções do livro influenciaram fortemente a literatura apocalíptica.

O Livro de Zacarias
Versículos 1,1 – 1,7 Apelo ao arrependimento
Versículos 1,8 – 1,17 Visão dos cavalos
Versículos 2,1 – 2,4  Os quatro chifres e os quatro ferreiros
Versículos 2,5 – 2,16 O homem com a corda de medir: promessa de redenção
Versículos 3,1 – 3,10 Purificação do sacerdote Josué. Promessa messiânica.
Versículos 4,1 – 4,14 O Candelabro e as duas Oliveiras: Promessa de construção do Templo
Versículos 5,1 – 5,11 O livro que voa e a mulher no alqueire
Versículos 6,1 – 6,8 Os quatro carros
Versículos 6,9 – 8,23 Os tempos messiânicos
Versículos 9,1 – 9,8 Julgamento das nações vizinhas
Versículos 9,9 – 9,17 Redenção de Israel
Versículos 10,1 –10,12 Reunião dos exilados de Israel
Versículos 11,1 – 11,17 Punições dos pastores malvados
Versículos 12,1 – 14,21 Oráculos apocalípticos ; fim dos tempos 

Fonte consultada: Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme. Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 1099.

Tu bi-Shvat
Glossários: Primeiro Testamento

Novo Ano das Árvores – em Hebraico : Tu bi-Shvat ou 15 Shvat

Ano Novo das árvores - Roch Ha shana la-ilanot

Dia das árvores, festa menor do calendário judaico. Essa festa não está mencionada na Bíblia e esta é mencionada pela primeira vez por volta do fim do período do Segundo Templo. Esse dia particular apareceu como uma data limite para fixar o dízimo prescrito sobre os produtos das árvores frutíferas. O fruto maduro antes do Novo Ano das árvores deveria ser incluído no cálculo do ano precedente, quando tudo aquilo que foi produzido após essa data devia ser taxado no ano seguinte.

Na Mishná (Roch Hashana 1,1) existe a narrativa sobre uma discussão entre as escolas de Hillel e de Schammai no que diz respeito à data dessa festas. As duas escolas concordam sobre a data ser no mês de Schvat que marca o final do inverno pelos primeiros sinais do despertar da naturezam mas a escola de Schammai determina que o primeiro dia de Schvat seria o dia da festa e os discípulos de Hillel preferia celebrar no 15° dia de Schvat. Esse desacordo de certo modo expressa a diferença de estatuto econômico entre essas duas escolas: os de Hillel eram mais pobres, a terra deles demorava mais em despertar do inverno. De toda forma, ao confirmar o 15° dia do mês de Schvat como data do Novo Ano das árvores, os rabinos relacionaram essa festa menor com as outras duas festas agrícolas - Pessach e Soukkot - que também eram celebradas igualmente na metade do mês.

Após a destruição do Segundo Templo, as leis do dízimo não eram mais válidas pois elas não se aplicavam fora da Terra Santa. Contudo, essa festa menor foi mantida, mas se revestiu com um sentido um pouco diferente. Por toda parte onde os judeus viveram, essa festa os ajudou a preservar a sua conexão com a Terra de Israel. Quando se encontravam cercados pela neve, no exílio a Festa de Tu bSchvat lhes lembrava o clima mais clemente da sua antiga pátria. Essa festa foi mantida no calendário como um dia onde era probido jejuar, e onde se omitia as preces de penitência de Tahanoun porque não convinham a essa ocasião.

No século XV, os místicos de Safed introduziram cerimônias e ritos novos marcando o Novo Ano das Árvores. Sob a influência de R. Isaac Louria, formou-se o hábito de reunir-se e onde se comimam os frutos prescritos. Durante a cerimônia, bebia-se quatro taças de vinho, como no Seder de Páscoa. Essa liturgia se tornou popular nas comunidades sefaradis na Europa e nos países islâmicos; em 1753, leituras apropriadas foram publicadas numa coleção intitulada Peri ets hadar (“O fruto da bela árvore”).

Entre os diferentes frutos consumidos tradicionalmente em Tu bi-Schvat, o lugar de honra foi dado ao fruto da alfarrobeira que existia em grande quantidade na antiga Terra de Israel. A amendoeira ocupa um lugar especial nesta festa, pois ela é a primeira a florir em Israel após o inverno, e na metade do mês de Schvat ela está em plena floração, inaugurando assim a primavera. Em Israel hoje, plantam-se milhares de árvores em Tu biSchvat; um grande número de alunos participa dessa atividade.

Sofonias
Glossários: Primeiro Testamento

Em Hebraico – Tsefanyah = “Deus escondeu”

Profeta da Judeia cuja atividade remonta à época da invasão dos Citas (630 – 625 a.C.). Nono livro dos Profetas Menores. Sua genealogia, tal como ela é oferecida pela Bíblia, indica que ele descendia do rei Ezequias (Sf 1,1); ele profetiza, portanto, durante o reinado do rei Josias, do qual devia ser um parente distante. Suas invectivas contra a nobreza devem ser compreendidas por causa do íntimo conhecimento que Sofonias tinha do modo de vida que a nobreza levava. Segundo a tradição Judaica, Sofonias era contemporâneo do Profeta Jeremias e da Profetiza Hulda, enquanto essa os descreve, Jeremias pregando nos mercados, Sofonias nas sinagogas e Hulda diante das mulheres.

O livro de Sofonias contém três capítulos, em cinquenta e três versículos. Compreende os três oráculos pronunciados por Sofonias no início do reinado do rei Josias (640-608 a.C.). O primeiro oráculo fustiga o povo de Judá que se entrega à idolatria e à prática dos ritos estrangeiros (1,8). Eles são punidos por uma catástrofe, o que significa, segundo outros profetas, o Dia do SENHOR. Sua descrição particularmente viva desse dia lhe fará conhecido como o “profeta do Dia do SENHOR”.

O segundo oráculo é um apelo ao arrependimento, seguramente dirigido a Judá. O último oráculo de Sofonias denuncia os dirigentes religiosos e políticos de Judá. Deus promete de enviar contra eles um exército dos quatro cantos do mundo, composto por Seus fiéis. O resto de Judá que sobreviver será composto dos exilados reunidos cujas qualidades serão a justiça e a humildade. Eles serão o orgulho da humanidade.

Apesar das tentativas científicas de fragmentar o livro de Sofonias, este parece ter uma forte unidade, tanto quanto à retórica descrita nos acontecimentos, que testemunha em favor da integridade da obra seja pela inexistência de condições para apoiar a hipótese de uma redação pós-exílio.

O Livro de Sofonias
Versículos 1,1 – 1,18 Denúncia da idolatria de Judá e julgamento.
Versículos 2,1 – 3,7 As nações são exortadas ao arrependimento.
Versículos 3,8 – 3,13 Após o julgamento dos malvados, o resto será libertado.
Versículos 3,14 – 3,20 Libertação de Israel


Fonte consultada: Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme. Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 962-963.

PESSACH - PÁSCOA
Glossários: Primeiro Testamento

PESSACH – PÁSCOA
Uma das três festas de “Peregrinação” (juntamente com Shavuot e Sukkot), quando na época as peregrinações ao Templo eram um mandamento para os judeus (Ex 23,14).

Pessach – Páscoa é celebrada durante oito dias (sete em Israel e segundo os Judeus reformistas) a partir do dia 15 do mês de Nisan. Como as outras duas festas de peregrinação, essa de Pessach se fundamenta por vezes em razões históricas e agrárias. Historicamente, ela comemora o Êxodo dos filhos de Israel, o fim da escravidão no Egito. Seu significado agrário se fundamenta com a celebração da primavera, no início da colheita da cevada.

Os diferentes nomes da festa indicam a pluralidade de seus aspectos:
Hag ha-matsot, a “festa dos ázimos” (Ex 12,15). Esse nome remonta à prescrição de comer pão sem ázimo (matsah) e a proibição de consumir fermento (chametz) ou todo alimento à base de massa fermentada, devido à comemoração precipitada do Êxodo dos Israelitas para fora do Egito, que não tiveram tempo senão para prepararem pães sem fermento.

Hag ha-Pessach, “a festa da Páscoa”. Esse nome se refere à narrativa bíblica da “passagem” do Anjo da morte, “acima” das casas dos filhos de Israel, que provocou a morte de todos os primogênitos dos Egípcios (Ex 12,27). O termo designa igualmente o sacrifício pascal (korban Pessach). Segundo a narrativa bíblica, cada família recebeu a ordem de estar pronta e preparar um cordeiro, alguns dias antes do Êxodo. Na vigília da partida do Egito, o animal foi abatido e um pouco do seu sangue foi espalhado nas ombreiras e batentes das portas para que tivesse esse sinal. O Anjo da morte a caminho para matar os primogênitos egípcios, “passou por cima” dessas casas. O cordeiro devia ser assado e comido às pressas naquela noite mesmo, acompanhado de matsah e de ervas amargas (maror).

Depois, no deserto (Nm 9,1-5) e durante toda a época do Templo, o ritual do korban Pessach, ou “cordeiro pascal”, foi celebrado como uma refeição de festa sacrificial, na Vigília da Páscoa. No Talmud (Pes 64 s) existe uma descrição detalhada das leis e costumes referentes ao sacrifício pascal que existiam na época do Segundo Templo.

Zeman heroutenou, “o tempo da nossa liberdade”. Essa expressão figura de modo particular na liturgia da festa pois em Pessach se celebra a libertação dos filhos de Israel da servidão do Egito e lhes constituiu num povo livre.

Hag ha-aviv, “a festa da Primavera”. Nome que faz referência ao aspecto agrário da festa de Pessach, que marca o início da colheita da cevada.

Quanto à liturgia da Festa de Pessach se encontram imperativos como o Hallel e o ofício suplementar. As leituras do Pentateuco são: Ex 12 (a história do êxodo do Egito); Ex 13 – 15 (a narrativa da passagem pelo Mar Vermelho).Também como acontece nas outras festas de peregrinação, onde se lê um dos Cinco Rolos; para a festa de Pessach lê-se o livro do Cântico dos Cânticos, essencialmente porque nele se encontra uma descrição da primavera, estação intimamente associada à comemoração de Pessach.


Fontes consultadas:
Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme – Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 783-785.

Oseias
Glossários: Primeiro Testamento

Em hebraico: Hochea

Primeiro livro dos Doze Profetas menores, que foram a seção dos Profetas menores da Bíblia. A importância do livro se dá ao fato de que sendo um livro saído do Reino de Israel ele tenha sido redigido somente após sua queda quando aconteceu a queda do Reino de Judá. Esse livro pode portanto ser considerado como um documento que tem valor de fonte por causa da história religiosa e a literatura do último reino.

Segundo o livro de Oseias, este conheceu as revelações sob os reinos de Ozias (769-734), de Yotão, de Acaz (733-727) e de Ezequias (727-6989 a.C.) e de Menahem (746-737 a.C.), reis de Israel. A única informação sobre sua vida pessoal é oferecida no início do livro, quando ele recebe a ordem – numa visão – de desposar uma mulher prostituída, simbolizando assim a infidelidade de Israel com relação a Deus. Ele se casa, portanto com Gomer, que lhe deu três filhos. Não se sabe com exatidão se esses detalhes têm importância histórica ou simbólica.

O livro de Oseias é um dos mais longos entre os Profetas Menores: se compõe de 14 capítulos. Os três primeiros mostram a atração de Israel por Baal, o deus dos Fenícios, com a imagem de uma mulher adúltera com seus amantes. Para punir tais faltas, a terra deve cessar de ser fértil e deve-se suspender todas as festividades. Esse anúncio se acompanha, algumas vezes, de uma profecia da consolação. A passagem de Os 4,14 contém oráculos dirigidos ao Reino do Norte sob o reinado do Rei Menahem (746-737 a.C.). O profeta considera as alianças de Israel com as potências estrangeiras como um sinal de infidelidade para com Deus e reprova a Israel de “não conhecer o Eterno Deus”. Ele ressalta que, mesmo que alguém tenha se tornado culpado de uma ação imoral, ele não atenua no entanto a sua falta cumprindo atos religiosos. Pelo contrário, a imoralidade feita a partir deste tipo de religiosidade é uma verdadeira abominação.

Oseias é o primeiro profeta a especificar que o culto a Deus feito em múltiplos altares é um pecado grave (Os 4,13; 8,11). Ele profetizou no reino de Israel, mas uma parte de sua profecia diz respeito igualmente ao reino de Judá. Segundo as fontes rabínicas Oseias, Isaias, Amós e Miqueias profetizaram na mesma época, e Oseias seria o mais eminente dos quatro.

O Livro de Oseias
1,1-9: O casamento de Oseias com uma mulher infiel.
2,1-3: A restauração de Israel.
2,4-25: Deus desposa a Israel.
3,1-5: O casamento de Oseias.
4,1 – 5,7: Reprovações aos encontros com os sacerdotes corruptos, supersticiosos e idólatras.
5, 8 – 6,6: Repreensões contra Israel e Judá.
6,7 – 9,10: Repreensões contra Israel feita por causa de diversos pecados, como idolatria, a guerra civil e a falta de confiança em Deus.
9,11 – 10,15: Oráculos feitos sobre as faltas históricas de Israel
11,1 – 12,1: O amor de Deus para com Israel
12,2 – 14,10: O julgamento divino e o convite ao arrependimento.

Portanto, a profecia de Oseias está profundamente ancorada na tradição religiosa da região da Samaria, introduzindo novos temas, que se tornarão clássicos. Ele insiste particularmente sobre o amor de Deus pelo seu povo, destacando uma religião da afetividade e compare a Aliança com o matrimônio. Esses elementos são o sinal de uma revitalização legislativa que acompanha as evoluções políticas e sociais em paralelo à elaboração histórica e religiosa e que se apoiando sobre a Lei, se afasta das primeiras compilações de fonte “Elohista”.


Fontes consultadas: Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme – Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 753-754.

Naum
Glossários: Primeiro Testamento

Em hebraico: Nahum

Sétimo livro dos Profetas menores da seção profética da Bíblia. A única informação sobre Naum é que ele era elqoshita, mas Elqoch não é mencionado em lugar algum na Bíblia. Se tomamos por base o testemunho de suas pregações, ele veio do Sul do reino de Judá. O pano de fundo do livro de Naum é a destruição de Nínive pelos Babilônios e os Medos (612 a.C.), mas as opiniões dos pesquisadores divergem quanto à saber se as palavras contidas no livro foram pronunciadas antes, durante ou depois desse acontecimento. O livro de compõe de três capítulos e de quarenta e sete versículos. A designação “Oráculo sobre Nínive” do primeiro versículo é uma condenação profética típica e que diz respeito ao tipo das nações do mundo. Naum anuncia a uma cidade anônima (certamente Jerusalém) que o jugo “daquela que conspira contra o SENHOR” (a Assíria) vai acabar em breve.

A honra de Jerusalém voltará, mas Nínive será destruída como punição de sua brutalidade e de suas intrigas. Naum sugere ainda que uma inundação (do Rio Tigre) contribuirá eficazmente para a queda de Nínive (Cf. 2,7-9). Segundo a tradição Judaica, a profecia de Naum seguiu àquela de Jonas pois, no tempo de Jonas, o povo de Nínive se arrependeu e a cidade foi salva.

Livro de Naum
1,1 – 1,10 Vingança de Deus e punição.
1,11 – 2,3 Ameaças contra a Assíria e promessas a Judá.
2,4 – 2,14 Assalto de Nínive.
3,1 – 3,19 Saque de Nínive. 

Fontes consultadas: Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme – Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 721.

Miqueias
Glossários: Primeiro Testamento

Em hebraico: Micah

Sexto dos Doze Profetas menores da Bíblia. A partir do reinado de Joatão, Acaz e de Ezequias (em torno de 745-700 a.C.), reis de Judá (Jr 26,18; Mq 1,1), que a Palavra de Deus lhe foi revelada. Crê-se a partir dessas duas referências bíblicas que Miqueias seja originalmente de Moreshet. Trata-se certamente de uma cidade chamada também Moreshet-Gath, cidade situada nos arredores de Gath. Como Amós, seu contemporâneo, Miqueias é originário de Judá, reino do Sul, mas ele estendeu também sua profecia no reino do Norte, Israel.

Segundo o Talmud ( BB 14b), ele seria contemporâneo igualmente de Oseias e de Isaias. Ele é o primeiro a ter profetizado a destruição de Jerusalém, como punição das ofensas feitas a Deus, pelos habitantes da cidade. Graças às profecias de Miqueias, o rei Ezequias implora a Deus de tal forma que a cidade foi poupada. O versículo no qual Miqueias declara que Deus exige do ser humano nada mais do que: “Nada mais que respeitar o direito, amar a fidelidade e aplicar-te a caminhar com teu Deus” (Mq 6,8), é universalmente conhecido.

Livro de Miqueias

1,1 – 3,12 Profecias ameaçadores e pecados de Israel e de Judá; condenação dos opressores ricos, dos tiranos e dos falsos profetas.

4,1 – 5,15 Miqueias promete que Sion será restaurada, o Templo reconstruído, os exilados novamente reunidos, e que então o Messias chegará.

6,1 – 6,16 Deus acusa o reino de Israel. Ameaças contra Jerusalém.

7,1 – 7,20 Os inimigos de Sion serão subjugados. Restauração de Sion. Retorno dos exilados.


O livro de Miqueias contém 7 capítulos, 105 versículos ao todo, que se pode dividir em três partes. A primeira parte (capítulos 1 a 3) prevê a destruição de Jerusalém e de Samaria como resposta dos pecados dos seus habitantes. A segunda parte (capítulos 4 e 5) prevê a destruição do Reino de Judá mas profetiza que ele se levantará, envolvido por uma glória maior do que antes. A terceira parte (capítulos 6 e 7) ataca fortemente a desonestidade que reina sobre o lugar do mercado e a corrupção que mina o governo da Samaria. Segue então a resposta dos Samaritanos diante dessas acusações.

Miqueias era de tal forma investido das Palavras de Deus que ele consagra sua vida a transmitir a sua mensagem: “Eu, ao contrário – graças ao Espírito do SENHOR -, estou cheio de força, do senso do direito e de coragem, para revelar a Jacó sua rebeldia, e a Israel, seu pecado” (Mq 3,8).


Fontes consultadas: Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme – Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 667-668.

Maná
Glossários: Primeiro Testamento

Alimento que Deus ofereceu milagrosamente aos Israelitas durante a sua peregrinação através do deserto (Ex 16,14-35). De acordo com Josué 5,12 os Israelitas dele comeram até a primeira Páscoa em Canaã (segundo Ex 16,35, eles deixaram de comer o Maná quando chegaram às fronteiras de Canaã). Esse alimento foi chamado "pão" e foi descrito como uma "substância fina" ou como "uma substância parecida ao grão de coentro, branco e com gosto de bolo de mel" (Ex 16,31). "O maná tinha a aparência do Bdélio (goma-resina aromática comum no Oriente Médio). O povo espalhava-se para recolhê-lo; e o moía em moinho ou o pisava num pilão; cozia-o em panelas e fazia bolos. O seu sabor era de bolo amassado com azeite. Quando, à noite, o orvalho caía sobre o acampamento, caía também o maná" (Nm 11,8).

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Quando caiu pela primeira vez Moisés mandou recolhê-lo na quantidade de um ômer (unidade de volume – um pouco mais de dois litros= 2,2) por pessoa em cada família. Não era preciso guardar para o dia seguinte. Quem infringiu essa ordem de Moisés percebeu que o que tinham guardado para o dia seguinte tinha um cheiro que provocava náuseas. Na véspera do Shabat, devia ser recolhida na sexta-feira uma dupla medida de modo a suprir as necessidades do dia seguinte. De fato o maná não caía em dia de Sábado (Ex 16,22-25). Moisés encarregou Aarão de encher um pote de maná e de colocá-lo diante do Eterno Deus no Santuário. Esse Maná foi destinado a permanecer aí eternamente.

Segundo a Aggadah o Maná era uma das dez coisas criadas no entardecer da vigília do Shabat da Criação (Avot 5,6). Ele foi moído nos céus pelos anjos (TanB sobre Ex, 67), ou que o maná era constantemente preparado para o uso futuro dos justos (Hag 12b). Foi chamado de "o pão dos anjos", pois aqueles que dele comiam também se tornavam fortes como eles. Por outro lado, também como os anjos, eles não tinham necessidade de senti-lo, pois o maná se dissolvia integralmente no corpo (TanB sobre Ex, 67). E foi somente depois de pecar reclamando desse alimento é que os hebreus tiveram de fazer como o comum dos mortais (Yoma 75b). O Maná caía diretamente na frente dos justos, mas os outros deviam ir recolhê-lo, enquanto os pecadores deviam mesmo ir até mais longe para conseguirem recolhe-lo. Não era necessário cozinhá-lo, pois ele teria o sabor de qualquer gosto possível de se pensar. Era suficiente desejar um prato particular para que o maná dele adquirisse o seu paladar. (Yoma 75a). Para a criança, ele tinha o gosto do leite, para o adolescente aquele outro do pão, e para o ancião, o gosto do mel. Quanto ao enfermo, ele adquiria o sabor da cevada embebida em óleo e mel. A quantidade de maná recebida para cada família correspondia exatamente ao número de seus membros. Quando séculos mais tarde o profeta Jeremias convidou seus contemporâneos a mergulharem no estudo da Torah, ele tomou o prato que continha o maná guardado dentro do Templo para lhes lembrar de que Deus continuaria a lhes proporcionar a subsistência como Ele já o tinha feito antes (Mekhilta, Vayassa 6). Na iminência da destruição do Templo esse prato foi escondido juntamente com a Arca e o óleo santo. Quando ocorrer a era messiânica o profeta Elias trará esses objetos escondidos.

No Primeiro Testamento: 14 ocorrências:

Ex 16,15.31.33.35 (2x); Nm 11,6.7.9; Dt 8,3.16; Js 5,12 (2x); Sl 78,24; Ne 9,20

No Segundo Testamento: 4 ocorrências;

(Jo 6,31.49; Hb 9,4; Ap 2,17)
Estavam aí o altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, toda recoberta de ouro, na qual se encontrava uma urna de ouro que continha o maná, o bastão de Aarão que tinha florescido, e as tábuas da aliança (Hb 9,4).

 

Malaquias
Glossários: Primeiro Testamento

Em Hebraico – Malakhi.
Último livro dos Profetas Menores e último livro dos livros proféticos em geral. Malaquias talvez seja o nome do autor, se bem que verdadeiramente o termo esteja ligado ao hebraico malakhi, “meu mensageiro”. O título seria portanto uma referência implícita à missão divina que cabe ao autor desse livro (Ml 3,1). Segundo essa forte hipótese, pode-se admitir que o verdadeiro nome do profeta nos é desconhecido.

Além do mais, o livro de Malaquias não nos oferece indicação biográfica alguma que diga respeito ao seu autor. Alguns rabinos do Talmud identificaram o último dos profetas com Esdras e Neemias. Segundo o Talmud (Meg. 15a), Malaquias teria sido contemporâneo de Ageu e de Zacarias. Os três profetas receberam suas revelações no segundo ano do reinado de Dario, rei dos Persas. O Talmud acrescenta que a morte desses três profetas teria marcado o fim do profetismo.

O livro de Malaquias compreende três capítulos e cinquenta e cinco versículos. Hoje em dia os especialistas concordam por datar a redação desse livro no período pós-exílico, aquele do Segundo Templo. Fundamentados nos dados oferecidos internamente no texto, eles chegaram até mesmo a situar o texto nos anos que imediatamente precederam as reformas realizadas por Esdras e Neemias.

Esse livro se distingue pelo seu universalismo: “Sim, do nascer ao pôr do sol, meu Nome será grande entre as nações, em todo lugar será oferecido em meu Nome um sacrifício de incenso e uma oferta pura. Porque meu Nome é grande entre os povos! Disse o SENHOR dos exércitos” (Ml 1,11). É no livro de Malaquias que pela primeira vez, um papel escatológico é atribuído à figura de Elias (Ml 3,23). Considera-se que os últimos versículos do livro (3, 22-24) marquem não somente o final de Malaquias, mas também o ponto mais alto e a nota final de todos os livros proféticos da Bíblia.

Como os livros de Ageu e de Zacarias, esse de Malaquias expressa a transformação sofrida pela profecia no período pós-exílico. Os temas recorrentes que nele são abordados o situam em outro lugar nitidamente num período onde o Templo já tinha sido reconstruído: “Não me agrada a oferenda de vossas mãos!” (1,10; 3,1; 3,10). A Judeia era então governada por um representante do Império Persa (1,8), o entusiasmo espiritual que tinha prevalecido numa época anterior morreu. As três acusações maiores do profeta se levantam contra a degeneração sofrida pelo sacerdócio (1,6 – 2,9), os casamentos mistos (2,11) e a negligência do pagamento do dízimo.

O Livro de Malaquias
Versículos 1,1 – 1,5  Preâmbulo
Versículos 1,6 – 2,9  Sacerdotes acusados de serem os responsáveis da regressão espiritual
Versículos 2,10 – 2,16 Denúncia dos casamentos mistos e divórcios
Versículos 2,17 – 3,5 O Dia do SENHOR se aproxima
Versículos 3,6 – 3,12  Os judeus são acusados de roubar o dízimo que eles deveriam trazer ao Templo.
Versículos 3,13 – 3,21 Condenação daqueles que não acreditam na justiça divina.
Versículos 3,22 – 3,24 A vinda de Elias antes do Dia do SENHOR

Fonte consultada: Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme. Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 626 - 627.

Jonas
Glossários: Primeiro Testamento

JONAS (Em hebraico: YONAH)

Quinto livro do conjunto que compõe a seção dos Profetas Menores da Bíblia. Contrariamente aos outros textos desta seção, ele contém apenas uma breve profecia de cinco palavras (Jn 3,4), o conteúdo essencial da obra sendo a narrativa detalhada sobre o que acontece com Jonas, filho de Amitai.

Deus lhe ordena de se dirigir até ao Leste para ir pregar na cidade de Nínive; ele acrescenta que se todos os habitantes nela não se arrependerem , a cidade será destruída quarenta dias mais tarde.

Como Nínive era cidade inimiga dos Israelitas, Jonas recusa começar essa missão. No lugar de ir para Nínive, ele vai até Jope (Jafta) e toma uma embarcação para Társis, esperando assim escapar da sua missão. No meio das viagem uma tempestade ameaça engolir o barco, os marinheiros tiram a sorte para saber quem seria o responsável e a sorte aponta Jonas. Esse último, dormia pacificamente, mas foi acordado para ser então questionado.

Diante das questões, ele respondeu somente assim: “Eu sou um Hebreu e temo o SENHOR, Deus do céu...”. Finalmente os marinheiros jogam Jonas para fora do barco, e a tempestade cessou.

Jonas é em seguida engolido por “um grande peixe” (nada se fala na Bíblia sobre uma baleia). Ele permanece no interior do peixe durante três dias e três noites em oração a Deus. Para terminar, o peixe o vomita na costa.

Considerando que não havia outra alternativa, Jonas vai à Nínive, onde ele prega sobre a destruição iminente da cidade. O rei e o povo foram tocados pela sua pregação e todos se arrependeram fazendo jejum. A cidade foi salva, mas Jonas ficou aflito. Deus fez nascer uma planta de mamona com uma sombra, sob a qual Jonas se refugiu. Deus fez então a planta de mamona ressecar, o que desesperou Jonas. Era a fim de lhe dar uma lição, pois se Jonas se preocupou apenas com uma planta de mamona, que ele não teve trabalho algum de plantar, como Deus então não iria se preocupar com uma cidade de 120.000 habitantes que Ele mesmo tinha criado?

O Livro de Jonas, que tem quatro capítulos, é dotado de características particulares que o distinguem dos livros proféticos da Bíblia. Ele é construído como uma narrativa mais breve do que uma seleção de Profecias. A moral principal é ensinada ao Profeta, ela não é emitida por ele, e Jonas é mais objeto do que o sujeito da narrativa. Para emprestar um termo aplicado à literatura moderna, ele encarna aqui um ante herói. Além da mensagem dirigida ao povo de Nínive, à qual é pedido o arrependimento, Jonas não pronuncia profecia alguma nem ensinamento moral. Essa narrativa tem uma finalidade universal, na medida onde Deus se dirige a uma cidade pagã e não ao seu próprio povo pedindo que este se arrependesse; ao mesmo tempo, Ele se mostra muito preocupado com o destino e a sobrevivência de seus habitantes.

O livro todo inteiro é lido como Haftará na liturgia Judaica durante o serviço religioso após o meio-dia, no Dia de Yom Kippour, e serve para lembrar o poder do arrependimento.

O Livro de Jonas
1,1 – 1,3: Jonas foge da sua missão e vai para Társis.
1,3 – 1, 16: Jonas, acusado de provocar a tempestade, é jogado no mar.
1,17 – 2,10:Jonas é engolido por um peixe e reza a Deus para libertá-lo do ventre do peixe que terminará por vomitá-lo em terra firme.
3,1 – 3,4: Jonas vai até Nínive para predizer a destruição da cidade.
3,5 – 3,10: O povo de Nínive se arrepende e Deus se torna flexível.
4,1 – 4,5: Jonas reza para Deus colocar em execução seu projeto original.
4,6 – 4,11: Deus explica a Jonas a razão pela qual Ele se tornou flexível.

Fontes consultadas: Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme – Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 523-524.

Joel
Glossários: Primeiro Testamento

Em hebraico: YOEL : Adonai é Deus

Profeta cujo livro é o segundo da seção dos Profetas Menores da bíblia, e sobre o qual não existe informação bibliográfica. Suas profecias, que mencionam abundantemente Jerusalém e o Reino de Judá, mas nunca o Reino de Israel, fazem-nos pensar que ele pregou essencialmente na Judeia. Dividido em quatro capítulos (a versão grega LXX e a Vulgata reúnem os capítulos 2 e 3), ele reúne 73 versículos e seu conteúdo revela duas partes distintas. Os capítulos 1 e 2 descrevem minuciosamente um ataque terrível de gafanhotos que devastam tudo por onde passam, o que é compreendido como o sinal do acontecimento do Dia do SENHOR e simboliza uma promessa de libertação.

No capítulo 1, versículos 8 – 18, o Profeta suplica aos sacerdotes e ao povo para implorar a ajuda de Deus pelo arrependimento, pelo jejum e pela oração. Os versículos seguintes relatam a oração de Joel, súplica pedindo a cessação da praga. Os capítulos 3 e 4 são um poema apocalíptico no qual Deus promete aos arrependidos (Judeus e pagãos) de suspender a calamidade, ameaçando punir as nações que cometeram injustiça contra os Judeus. Entre esses últimos, aqueles que não se arrependerem serão igualmente castigados.

Segundo algumas fontes judaicas, sobretudo de Seder Olam, Joel teria sido contemporâneo dos Profetas Nahum e Habacuc. Essa hipótese de datação se apoia igualmente sobre a utilização de uma linguagem hebraica pura, que se supõe ter sido alterada durante o período do Segundo Templo. Contudo, sua datação permanece tarefa difícil de ser estabelecida com exatidão: alguns estudiosos modernos notam no livro diversas referências que indicam que possa ter sido redigido após a reconstrução do Segundo Templo (515 a.C.) mas num período precedente à conquista de Sidon pelos Persas (348 a.C.), o que permite a alguns a contestação da sua paternidade literária. O fato de que Jerusalém seja descrita como o lugar do único santuário, suas referências aos Anciãos e aos Sacerdotes, e sobretudo a ausência de qualquer nome de rei nos levam a supor que o livro tenha sido redigido durante à época Persa.

O Livro de Joel

1,1 – 2,17: Ataque de gafanhotos, descrição, lamentações, apelos ao arrependimento.

2,18 – 2,27: Oráculo de libertação.

3,1 – 4,15; Dia do SENHOR, presságios, julgamento das nações.

4,16 – 4,21: Libertação de Israel.


Fontes consultadas: Dictionnaire Encyclopédique du Judaïsme – Paris: Bouquins Cerf/Robert Laffont, 1996, p. 522-523.

Glossários: Primeiro Testamento

O personagem ele mesmo, segundo as interpretações, é percebido como um justo exemplar, o verdadeiro “homem que acredita em Deus”, mas também é visto em outras literaturas como o blasfemador. A crítica científica da bíblica considera ser possível dois tipos de leitura do texto, considerando as atitudes, no conjunto do livro do Jó paciente daquele outro Jó impaciente.

O prólogo apresenta o personagem Jó, dotado de um caráter e de uma piedade exemplares. Homem rico e pai de três filhos e de sete filhas. Por ocasião de um conselho celeste presidido por Deus, satã que encarna aqui o anjo acusador, sugere que a piedade de Jó não resistiria diante das dificuldades e propõe a Deus de submetê-lo à prova. Após ter a aprovação divina para isso, satã se apressa em provar Jó.

Rapidamente Jó se vê despojado de sua fortuna e de seus filhos, mas sua fé permanece inalterável e ele exclama: nú eu saí do ventre de minha mãe e nú voltarei para lá. O Senhor o deu, o Senhor o tirou, bendito seja o nome do Senhor (Jó 1,21). A esposa de Jó lhe suplica de amaldiçoar a Deus para colocar um fim em seus sofrimentos, mas seu conselho é fortemente rejeitado.

JO E OS 3 AMIGOS

Os amigos de Jó tentam provar a ele a imparcidalidade dos atos divinos: “acaso, deus torce o direito?” (Jó 8,3). E Jó persiste em se defender.

O personagem não convencional do Jó impaciente se expõe nas reflexões e meditações sobre a sorte do destino humano, precisamente nos diálogos que ele expõe aos seus três amigos (3,26; 29,1; 42,6) e que ele começa maldizendo “o dia do seu nascimento” (Jó 3,1).

O epílogo vê Jó recobrar toda a glória passada, numa riqueza redobrada e o nascimento de sete filhos e de três filhas, que ele terá o privilégio de ver prosperar até à quarta geração (Jó 42).

Características da obra: os diálogos poéticos são organizados da seguinte maneira: a disputa de Jó com seus três amigos: Elifaz de Temã, Baldad de Suás, Sofar de Naamat. Cada um dos amigos de Jó propõe uma intepretação pessoal das provas de Jó, insistindo sobre o fato de que esses sofrimentos devem ser o resultado dos pecados de Jó, e por causa da sua má conduta. Jó rebate com indignação todas as acusações e pronuncia no capítulo 31 seu sermão sobre a inocência.

Eliu, um outro amigo de Jó, mais jovem do que os outros, se irrita então contra ele, porque ele insiste em clamar a sua inocência.

O monólogo de Jó: capítulos 32-37: Jó começa então um monólogo no mesmo espírito das outras suas intervenções. Deus intervém por duas vezes “no meio da tempestade” (38,2; 40,6). Ele se dirige a Jó com vigor, repreendendo-o por pretender compreender os caminhos do todo-poderoso, insistindo sobre a ignorância e a falência da condição humana: “quem é esse que obscurece meus desígnios com palavras sem sentido?... Onde estavas, quando lancei os fundamentos da terra? Diga-me, se é que sabes tanto” (38, 2.4).

“Alguma vez deste ordens à manhã, ou indicaste à aurora um lugar, para agarrar as bordas da terra e sacudir dela os perversos?” (Jó 38,12-13)

A intervenção de Deus se baseia mais sobre sua própria onipotência do que sobre a questão da igualdade de direitos e Jó reconhece com submissão. Jó respondeu ao senhor: “eis que falei levianamente; que poderei responder-te? Porei minha mão sobre a boca; falei uma vez, não repetirei; duas vezes, nada mais acrescentarei”. “Reconheço que tudo podes e que nenhum dos teus desígnios fica frustrado. Quem é aquele que vela teus planos com propósitos sem sentido? Falei de coisas que não entendia, de maravilhas que me ultrapassam” (Jó 42,2-3). “Por isso é que eu me retrato e faço penitência no pó e na cinza” (Jó 42,6). Jó teria existido ou não? Jó teria sido judeu ou não? O livro de Jó era lido no grande dia do perdão do ano judaico, na festa de Yom Kippour no momento justamente onde se apresentava a expiação do povo de israel.

O livro de Jó está dividido nos seguintes capítulos:
1,1 – 1,5 A prosperidade de Jó
1,6 – 1,12 O desafio de satã
1,13 – 2,13 As prova de Jó e a chegada dos amigos
3,1 – 3,26 A lamentação de Jó
4,1 – 14,22 O primeiro ciclo de diálogos entre os 3 amigos e Jó
15,1 – 21,34 O segundo ciclo
22,1 – 27,23 O terceiro ciclo
28,1 – 28,28 A glória da sabedoria
29,1 – 31,40 O discurso final de Jó
32,1 – 37,24 O discurso de Eliú
38,1 – 42,6 Discurso de Deus e submissão de Jó
42,7 – 42,17 A prosperidade de Jó é restaurada